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12 de dezembro de 2018

Landri Sales

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Gustavo Rodrigues Notícias de Landri Sales e Regiões

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Postada em 26/03/2018 ás 12h54
Quem foi Landri Sales Gonçalves?
Confira agora uma pesquisa realizada junto ao site da Fundação Getúlio Vargas sobre a história do homem que foi homenageado com o nome do município de Landri Sales-PI.

Publicada por: Gustavo Rodrigues

Quem foi Landri Sales Gonçalves?

Landry Sales Gonçalves - Foto: wikipédia

Landri Sales Gonçalves nasceu em Acaraú (CE) no dia 19 de julho de 1904, filho de Francisco Losada Gonçalves e de Efigênia Sales Gonçalves.

Iniciou seus estudos em Camocim (CE), prosseguindo-os no Ginásio São Joaquim, em Lorena (SP), e no Liceu do Ceará.

Assentou praça em junho de 1922, ingressando na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, da qual saiu como aspirante-a-oficial em janeiro de 1927.

Classificado no 23º Batalhão de Caçadores, em Fortaleza, foi promovido a segundo-tenente em julho do mesmo ano. Motivado pelos ideais revolucionários, reuniu-se a seu colega de Escola Militar, o também tenente Júlio Veras, para formar um grupo de conspiradores no 23º BC.

Pouco depois, porém, os dois tenentes foram transferidos para o Colégio Militar de Fortaleza, onde logo retomariam a conspiração, reunindo-se aos tenentes Ari Hugo, Brígido Correia e Antônio Martins de Albuquerque. O problema dos tenentes era a ausência de oficiais revolucionários no 23º BC, situação que se modificou com a incorporação à unidade, no final do primeiro semestre de 1929, do também tenente Carlos Cordeiro de Almeida. Instruído por Landri Sales e Júlio Veras, o tenente Cordeiro retomou a organização do movimento no 23º BC.

Em julho de 1929, Landri Sales foi promovido a primeiro-tenente. Até a eclosão da Revolução de 1930, foi ele o chefe da conspiração em toda a guarnição de Fortaleza, ao mesmo tempo em que consolidava o foco de conspiradores do Colégio Militar. Recebia cópias de todos os telegramas cifrados dirigidos ao comandante do 23º BC, bem como dos despachos oficiais relacionados com o movimento revolucionário. Todas as diretrizes para a preparação e a execução do levante no Ceará vinham diretamente de Juarez Távora, chefe militar da revolução no Norte e no Nordeste, para o tenente Landri.

Entretanto, a única unidade combatente sediada em Fortaleza, o 23º BC, teve o grosso de suas tropas (inclusive o tenente Cordeiro) deslocado para Sousa, na Paraíba, em conseqüência da crise que se verificava nesse estado desde o início de 1930 e que se intensificou com a Revolta de Princesa (junho) e o assassinato de João Pessoa (julho).

A partir de então, a eclosão da revolução foi transferida para Sousa, e o comando das operações passou ao tenente Cordeiro. Alguns dos tenentes e sargentos revolucionários que haviam permanecido em Fortaleza partiram para Sousa no dia 3 de outubro, indo juntar-se aos militares do 23º BC partidários da revolução. Ficando na capital cearense, o tenente Landri pouco pôde fazer. Apenas uma pequena parte da guarnição do 23º BC ficara na cidade; o Colégio Militar não contava com praças; a tentativa de levante da Força Pública fracassou. Ao mesmo tempo, o governo do estado já tomara conhecimento do que ocorria e assumira medidas preventivas, pondo de prontidão os batalhões policiais. Diante dessa situação, Landri Sales também partiu para Sousa, na madrugada do dia 4 de outubro, liderando os conspiradores do Colégio Militar que ainda se encontravam em Fortaleza.

O levante do 23º BC foi bem-sucedido e, ao chegar a Sousa no início da tarde do dia 5 de outubro, após fazer todo o percurso de automóvel, o tenente Landri e seus companheiros encontraram a situação controlada pelos revolucionários desde a véspera. Conforme o plano traçado por Juarez Távora, o 23º BC desmembrou-se em três batalhões ligeiros. Comissionado no posto de tenente-coronel, Landri Sales assumiu o comando de um dos batalhões e iniciou a marcha sobre Fortaleza na manhã do dia 6. A meio caminho, recebeu ordens para dirigir-se para Mossoró (RN), onde deveria reunir forças para constituir uma coluna que participaria do ataque a Fortaleza. No entanto, o governo cearense capitulou no dia 8, ficando suspensa a operação.

De Mossoró Landri viajou para Fortaleza com o objetivo de formar e comandar uma coluna expedicionária destinada a ajudar o 24º BC, sediado em São Luís, em sua luta contra o governo maranhense. Entretanto, com a deposição do presidente do Maranhão, José Pires Sexto, no dia 9 de outubro, recebeu novas ordens de Juarez Távora, que o intimavam a dirigir-se a Belém e prestar socorro ao 26º BC, que se levantara naquela capital.

Constituiu-se então a Coluna Landri, formada por um dos batalhões originados do desmembramento do 23º BC, por tropas da polícia cearense e por centenas de voluntários, totalizando um efetivo de cerca de dois mil homens e recebendo a denominação de Brigada Norte.

No dia 18 de outubro, a Brigada Norte zarpou de Fortaleza a bordo dos navios Afonso Pena, Tutóia e Itapena, aprisionados pelas forças revolucionárias. Em São Luís, a brigada teve seu efetivo reforçado, partindo para a última etapa da única operação naval-terrestre da Revolução de 1930.

Chegando a Belém no dia 24 de outubro, a brigada preparava-se para atacar a cidade quando Landri Sales recebeu a notícia da deposição de Washington Luís no Rio de Janeiro. Reuniu-se então com outros chefes revolucionários e resolveu enviar um telegrama ao presidente do estado, Eurico Vale, intimando-o a transferir o cargo ao tenente Ismaelino Castro, que se encontrava detido na penitenciária do estado. A transferência do governo ocorreu no mesmo dia.

A Brigada Norte atuou principalmente na manutenção da ordem no Pará, estendendo sua ação até o Amazonas, para cuja capital foi enviada parte de seu contingente. Landri Sales só retornou ao Ceará depois da chegada a Belém de Juarez Távora (12/11/1930), que foi à capital paraense empossar o tenente Joaquim Magalhães Barata no cargo de interventor federal.

Em janeiro de 1931, eclodiu no Piauí um levante que resultou na deposição do interventor federal no estado, o comandante Humberto de Areia Leão. Ao mesmo tempo em que o comandante do 25º BC, capitão Joaquim de Lemos Cunha, era nomeado interinamente interventor militar no Piauí, Juarez Távora designava o tenente Landri Sales para conduzir um inquérito policial-militar destinado a apurar as responsabilidades. O resultado deste inquérito nunca foi revelado ao público.

De todo modo, no dia 7 de maio de 1931, o tenente Landri Sales foi nomeado por Getúlio Vargas interventor federal no Piauí. Logo no início de seu governo, nos dias 3 e 4 de junho, ocorreu em Teresina um levante militar comandado por cabos do 25º BC. Há divergências quanto à origem do levante. O Inquérito Policial-Militar (IPM) sobre os acontecimentos afirma que o movimento tinha “fundo comunista”, ligando-o à atividade da Liga de Ação Revolucionária no Nordeste. O comandante do 25º BC, major Sebastião Rabelo Leite, e Juarez Távora endossaram esta versão. Contudo, o jornalista piauiense Higino Cunha, citado por Moisés Castelo Branco Filho em Depoimento para a história da revolução no Piauí, afirma que o responsável pela sedição foi o desembargador Joaquim Vaz da Costa, líder revolucionário no estado que já participara ativamente da crise de janeiro.

Os revoltosos prenderam os oficiais do 25º BC na madrugada de 3 de junho, tomando em seguida o quartel da polícia e capturando depois Landri Sales e seus principais auxiliares. Mais tarde, entretanto, os oficiais foram soltos por descuido das tropas rebeladas, e no dia 4 o interventor Landri Sales e o delegado de Juarez Távora no Piauí, o capitão Delso Mendes da Fonseca, comandaram a repressão ao movimento, dominado sem muita dificuldade. Em conseqüência do levante, mais de cem soldados tiveram baixa por indisciplina, e 60 militares, inclusive sargentos, foram presos e remetidos para a guarnição de Recife.

Em 1933, foi fundado no Piauí o Partido Nacional Socialista, a fim de congregar as forças políticas locais que apoiaram a Revolução de 1930. Landri Sales foi escolhido para presidente de honra do partido, juntamente com Hugo Napoleão do Rego.

Em novembro de 1933 foi promovido a capitão. Permaneceu no cargo de interventor até 3 de maio de 1935, quando foi substituído por Leônidas Castro Melo, eleito governador constitucional pela Assembléia Legislativa do estado. Embora tenha sido convidado, Landri Sales não consentiu com o lançamento de sua candidatura ao governo do Piauí ou ao Senado Federal.

Ainda em maio de 1935, retornou ao serviço ativo, realizando curso de aperfeiçoamento até 1936 e servindo depois no estado-maior da 3ª Região Militar, em Porto Alegre, e no 14º Regimento de Infantaria, em Niterói. Em julho de 1939, foi nomeado diretor do Departamento de Correios e Telégrafos, e em 1941 alcançou o posto de major. Em março de 1945, foi promovido a tenente-coronel.

Em setembro de 1945, quase no fim do Estado Novo, participou de uma reunião de oficiais na casa de João Alberto Lins de Barros, então chefe de polícia do Distrito Federal, na qual se discutiu a situação do país diante do processo de redemocratização. Participaram dessa reunião Pedro Aurélio de Góis Monteiro, Odílio Denis, Newton Estillac Leal, Osvaldo Cordeiro de Farias, Juarez Távora e outros. Os militares preocupavam-se com o movimento “queremista”, que defendia a convocação de uma assembléia constituinte com a permanência de Vargas na chefia do Estado. De reuniões desse tipo resultou a deposição de Getúlio no dia 29 de outubro de 1945.

Landri Sales deixou a diretoria dos Correios e Telégrafos em novembro de 1945, retornando ao mesmo cargo em julho de 1949 e nele permanecendo até fevereiro de 1951.

Em maio desse ano, foi promovido a coronel. De setembro de 1952 a outubro de 1954, chefiou o gabinete da Escola Superior de Guerra. Comandou o 1º Batalhão de Caçadores, sediado no Rio de Janeiro, de outubro de 1954 a janeiro de 1955, e comandou o 2º Regimento de Infantaria, ainda no Rio de Janeiro, de janeiro a fevereiro de 1955.

Promovido a general-de-brigada em abril de 1957, passou imediatamente para a reserva no posto de general-de-divisão. Exerceu ainda vários cargos de direção na Companhia Telefônica Brasileira até 1966, quando foi eleito presidente da empresa.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 30 de abril de 1978.

Foi casado com Zilma Cavalcanti Gonçalves, com quem teve três filhos,

A respeito de sua administração no Piauí, Hugo Napoleão publicou A interventoria Landri Sales (1934).

Robert Pechman

Confira as poucas fotos de Landri Sales Gonçalves:

Landri Sales, quando Diretor do DCT, no RJ.

Felismino, Diretor de Instrução no Piauí, recebe Getúlio Vargas e Landri Sales na Escola Normal em Teresina.

Landry Sales Gonçalves - wikipédia

Pesquisas: ALBUQUERQUE, J. Cearenses no Rio e em SP; ANSELMO, O. Revolução; ARAÚJO, M. Cronologia 1943; ARQ. MIN. EXÉRC.; ARQ. OSVALDO ARANHA; BRAGA, R. Dic.; CASTELO BRANCO FILHO, M. Depoimento; COUTINHO, A. Brasil; Encic. Mirador; FONTOURA, J. Memórias; GIRÃO, R. Ceará; Grande encic. Delta; HIRSCHOWICZ, E. Contemporâneos; Jornal do Brasil (1/5/78); MIN. GUERRA. Almanaque; PEIXOTO, A. Getúlio; POPPINO, R. Federal; REGO NETO, H. Fatos; SILVA, H. 1945; TÁVORA, J. Vida.

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FONTE: FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS

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